QUEM SE SALVOU NA PANDEMIA? FITNESS DIGITAL, DELIVERY DE COMIDA E SUPERMERCADO...


Desde que surgiram os primeiros indícios da gravidade da pandemia de Covid-19, institutos de pesquisas e organizações internacionais estão tentando calcular os prejuízos econômicos e no mercado de trabalho. No último dia 22, a Fitch Ratings, uma das principais agências de classificação de risco de crédito, divulgou um levantamento onde aponta uma queda de 3,9% no PIB global. No fim de março, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) previu que a paralisação da economia pode exterminar 25 milhões de empregos em todo o mundo.


O isolamento social imposto para tentar conter a disseminação do novo coronavírus provocou mudanças na nossa rotina, com efeito cascata. Muitos setores estão sendo altamente impactados – turismo, eventos e o comércio físico são apenas alguns deles. Mas, como em qualquer crise, enquanto alguns perdem, outros ganham.


Uma pesquisa realizada pela SEMrush, companhia norte-americana especializada em marketing digital, analisou o impacto da pandemia no comportamento online das populações para entender quais setores e empresas foram mais e menos afetados. “Muitas empresas foram impactadas negativamente, como o setor aéreo, que é o que mais sofre neste cenário. Mas o resultado das pesquisas mundiais na internet deixa claro que os serviços que ajudam no trabalho em casa e no entretenimento estão se destacando positivamente neste cenário”, afirma Maria Chizhikova Marques, coordenadora de mercado da SEMrush.



PLATAFORMA DE TRABALHO REMOTO

Entre os segmentos com maior impacto positivo nos últimos meses está o de plataformas de trabalho remoto. O Zoom, ferramenta de videoconferências e webinars cuja popularidade disparou com o home office e a transferência das aulas para o ambiente virtual, saiu de 10 milhões de usuários em dezembro para 200 milhões em março. As ações da empresa, que valiam US$ 68 em janeiro, fecharam no dia 22 de abril em US$ 150,25. O aumento é surpreendente, principalmente se levarmos em consideração que as bolsas estão caindo mais de 30%.


Já o Skype registrou aumento de 70% em março, segundo a Microsoft, e os minutos de chamadas entre contas da plataforma mostraram incremento de 220% em relação a fevereiro. O Hangouts Meet, do Google, aumentou 25 vezes na comparação entre os dois primeiros meses do ano, e constatou crescimento diário de 60% nas últimas semanas.



FITNESS DIGITAL


Com um terço da população mundial em casa – e as academias fechadas – outro setor que ganhou impulso foi o de ferramentas online para a prática de exercícios físicos e as compras de equipamentos pela internet. Segundo a SEMrush, os volumes de busca por cordas de pular e halteres aumentaram 70%, enquanto no caso da yoga online o incremento foi de 66%.


A brasileira Centauro, rede varejista de equipamentos, roupas e calçados esportivos que anunciou descontos expressivos em itens para a prática de exercícios em casa, viu a venda de apoios para flexão de braços crescer 12.423% em seu ecommerce entre 20 de março e 13 de abril deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. No caso das anilhas, o incremento foi de 2.688% e, dos halteres, 2.392%. As faixas elásticas e caneleiras também registraram aumento nas vendas de 16 e 14 vezes, respectivamente. Já a comercialização de bicicletas para spinning aumentou mais de 3.000%.


No fitness digital – setor que movimentou US$ 3,6 bilhões no ano passado só nos Estados Unidos – também já é possível observar crescimento. A Peloton – onde um dos principais negócios são aulas remotas de spinning pagas por meio de assinatura mensal – viu suas ações valorizarem 9,2% no início de março depois que o número de downloads de seu aplicativo quintuplicou em relação a fevereiro. Até agora, a valorização já é de 60%. Na semana passada, a empresa registrou sua maior aula virtual: 23 mil participantes.

Outra plataforma do tipo, o Aaptiv, também constatou aumento na demanda. Em declarações à imprensa norte-americana, o CEO e fundador da empresa, Ethan Agarwal, disse que “o engajamento em programas que não exigem equipamentos cresceu 50% [na semana de 16 de março], enquanto, normalmente, o engajamento é o mesmo para modalidades com e sem aparelhos”.


DELIVERY DE COMIDA E SUPERMERCADO

Como na maioria dos países onde as pessoas estão em quarentena os restaurantes ainda podem enviar pedidos por meio de aplicativos, essas plataformas têm corrido para atender à demanda, principalmente com a contratação de novos entregadores.


Segundo levantamento da AppsFlyer – plataforma de monitoramento e mensuração de downloads e uso de aplicativos presente em 98% dos smartphones de todo o mundo – as ferramentas de delivery de comida cresceram 78% em instalações entre os dias 17 de março e 13 de abril no Brasil, mantendo-se estáveis até dia 20 de abril.


O Delivery Direto, que pertence à Locaweb e atua como uma plataforma alternativa às mais tradicionais com cerca de 350 mil entregas por mês, registrou um aumento de 10% nos últimos dias. Dentre as cidades em que a plataforma opera, o Rio de Janeiro presenciou o maior volume de entregas, com 22,6%. O município é seguido por São Paulo (15,5%), Belo Horizonte (4%), Curitiba (3,9%), Porto Alegre (2,8%) e Recife (2,6%).


“O delivery tem se consolidado como uma tendência para o consumidor que busca comodidade e praticidade, no entanto, no atual cenário, vemos o serviço também como uma opção tanto para o restaurante que precisa manter sua operação saudável e pode contar com uma plataforma para ter maior organização e autonomia de operação, quanto para o cliente que quer receber suas refeições em casa”, diz Allan Panossian, cofundador e CEO do Delivery Direto.

A colombiana Rappi relatou que a operação brasileira registrou uma demanda três vezes maior a partir de março na comparação com os meses anteriores. As categorias com maior aumento foram farmácias, restaurantes e supermercados.


Já o Uber Eats constatou um aumento significativo nos pedidos para restaurantes independentes desde as últimas semanas de março, com mais usuários procurando apoiar as empresas locais. Além disso, em toda a região, observou que o interesse dos restaurantes em incorporar a opção de entrega em domicílio através do Uber Eats cresceu 10 vezes.

Quem também registrou um crescimento repentino foi a Shopper, startup que ajuda os consumidores a planejarem suas compras de supermercado que atende a 750 bairros da cidade de São Paulo e municípios próximos. Em março, o faturamento da empresa mais do que dobrou e sua base de usuários foi de 130 mil para 240 mil pessoas.



Forbes Insider, por Angelica Mari e Gabriela Arbex

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